CONCEITOS
“GERAÇÃO
X’
Constituída de rapazes e moças nascidos na década de 1970,
na Grã Bretanha e países “desenvolvidos”, essa geração experimenta sofrimentos
e aflições desconhecidos das gerações anteriores, novos tipos de mal estares e
aflições. Um dos diagnósticos mais comuns é o desemprego, e em particular as baixas expectativas de trabalho para
os recém-saídos da escola que ingressam sem experiência num mercado preocupado
em aumentar os lucros cortando os custos com mão de obra e se desfazendo dos
ativos em vez de criar novos empregos e construir novos ativos.
DESEMPREGO
O prefixo “des” indica anomalia, desemprego é o nome de uma
condição claramente temporária e anormal, e, assim, a natureza transitória e
curável da doença é patente. A noção de desemprego herdou sua carga semântica
da autoconsciência de uma sociedade que costumava classificar seus integrantes,
antes de tudo, como produtores, e que também acreditava no pleno emprego não
apenas como condição desejável e atingível, mas também como seu derradeiro
destino. O emprego era ao mesmo tempo a chave de solução de problemas e
identidade pessoal socialmente aceitável.
REDUNDÂNCIA
Sugere permanência e aponta para a regularidade da
condição. Nomeia uma condição sem oferecer um antônimo prontamente disponível.
Sugere uma nova forma de normalidade geral, e o formato das coisas que são
imanentes e que tendem a permanecer como são. Ser redundante significa ser
extranumerário, desnecessário, sem uso. Redundância compartilha espaço
semântico de “rejeitos”, “dejetos”, “restos”, “lixo” – com refugo.
AGRICULTURA
Representa a continuidade: um grão e substituído por outros
grãos, uma ovelha dá a luz a outras ovelhas. O crescimento como ratificação e
confirmação do ser... Um crescimento sem perdas... Nada se perde no caminho. À
morte segue-se o renascimento.
MINERAÇÃO
“Apresenta apropria imagem da descontinuidade humana,
presente hoje e desaparecida amanhã, ora fervilhante de ganhos, ora exaurida e
vazia”. Podemos dizer que a tendência mais comumente apresentada entre as
modernas formas de criar (ou deveríamos dizer destruir criativamente) foi
moldada segundo o padrão e à semelhança da mineração. Na mineração o novo não
pode nascer a menos que algo seja descartado, jogado fora ou destruído. O novo
é criado no curso de uma meticulosa e impiedosa dissociação entre o produto
alvo e tudo mais que se coloque no caminho de sua chegada. A mineração é um
movimento de mão única, irreversível e irrevogável.
REFUGO
Termo que permeia toda obra, é o segredo sombrio e
vergonhoso de toda produção, é o excesso, o lixo. Um termo até difícil de
conceituar visto sua complexidade e significância.
Refugo. Humano: é um produto da modernidade,
configura-se como um efeito colateral da ordem. Ordem esta que define parcelas
da população como deslocadas, inaptas, indesejáveis. Dessa forma, falar em
refugo humano é falar de seres humanos excessivos, redundantes.
ORDEM
Segundo o Oxford English Dictionary, “a condição em que
tudo se encontra em seu espaço adequado e executa funções apropriadas”. Ordenar
(criar ordem onde predominava o caos); “colocar ou manter em ordem ou condição
adequada; dispor segundo a norma; regular, governar, administrar”.
CAOS
É o alter ego da
ordem, uma ordem com sinal negativo: condição em que alguma coisa não está no
lugar adequado e não executa a função apropriada (se é que é possível conceber
um lugar e uma função para essa coisa). Essa “coisa” sem domicílio e sem função
transpõe a barricada que separa a ordem do caos. Sua extirpação é o último ato
de criação antes que se concluam os trabalhos de construção da ordem.
ESPAÇO
ORDENADO
É governado pela norma, que é uma norma exatamente à medida
que proíbe e exclui. A lei se torna lei quando exclui do domínio do permitido
atos que seriam autorizados se não fosse a presença da lei – e de atores que
teriam autorização de viver no estado de anarquia.
LEI
A lei é um projeto, a planta de um habitat claramente
circunscrito, compreensivelmente marcado, mapeado e sinalizado. É a lei que dá
existência à anarquia, ao traçar a linha que divide o dentro do fora.
ANARQUIA
Não é meramente a falta da lei, ela nasce da retirada, da
suspensão, da recusa da lei.
EXCLUSÃO
Do ponto de vista da lei, a exclusão é um ato de auto
suspensão. Isso significa que a lei limita sua preocupação com o
marginalizado/excluído para mantê-los fora do domínio governado pela norma que
ela mesmo circunscreveu. A condição de excluído consiste na ausência de uma lei
que se aplique a ela.
HOMO
SAUCER X HOMINI SACRI
Categoria do antigo direito romano, nem humano, nem divino,
uma vida sem valor. Na contemporaneidade o homo saucer não é nem definido por
um conjunto de leis positivas nem portador dos direitos humanos que precedem as
normas jurídicas. É a principal categoria de refugo humano estabelecida no
curso da moderna produção de domínios soberanos ordeiros (obedientes à lei e
por ela governados).
O homini sacri já é o cidadão, a quem o soberano concedeu
direito.
POVO
Povo nada mais é hoje que o esteio vazio de uma identidade
de Estado, por exemplo, potencias mundiais pegam em armas para defender um
Estado sem povo (Kuwait); e por outro lado, um povo sem Estado (curdos,
armênios, palestinos, bascos, judeus da diáspora) pode ser oprimido e exterminado impunemente, de modo a deixar claro que o destino de um povo só pode ser uma
identidade de Estado.
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